Travessia Nacional 2

Travessia Nacional 2

Travessia em bicicleta pela maior estrada histórica da Europa.

Podia ser em qualquer país Europeu mas foi em Portugal que percorremos os 738,5kms da EN2 que liga Chaves a Faro em bicicleta. O Diogo Almeida lançou o desafio cerca de uma semana antes. Como encaixava no meu calendário e adoro estas aventuras aceitei prontamente.

O Diogo planeou fazer a travessia em apenas quatro dias, pois só tinha dois dias de férias. Seria um desafio ainda maior para mim, uma vez que já não andava de bicicleta à muito tempo. Fiz durante a semana anterior duas saídas de cerca 50kms cada. A Ana, minha esposa, e a minha filha Jéssica, ficaram com a tarefa da assistência em autocaravana.

As etapas foram: Chaves - Santa Comba Dão 210kms; Santa Comba - Ponte de Sor 230kms; Ponte de Sor - Castro Verde 210kms; Castro Verde - Faro 90kms.

Ouvia muitas histórias de que a EN2 tinha todo o potencial para se tornar na “Route 66 Portuguesa” e confirmo que tem todo esse potencial. Falta é muito trabalho em vários aspetos.

Falta um certificado, ou mesmo uma credencial, e os cafés, restaurantes e hotéis terem um carimbo próprio, tal como existe nos caminhos de Santiago. E uma marca em cada localidade a fazer a ligação à N2. VI isso em apenas dois locais e curiosamente os dois cafés estavam fechados.



Faltam melhoramentos na estrada pensando nos ciclistas e caminheiros; falta muito, mas muito civismo aos Portugueses que fazem desta estrada histórica, e todas as outras estradas, um autêntico depósito de lixo e plástico. Sem exagerar, acho que não andava cem metros sem ver lixo nas bermas. É inaceitável e insustentável esta situação!

Falta um planeamento do ordenamento das florestas. A zona Centro está abandonada e, se continuar a apostar unicamente no eucalipto, o futuro desta região vai ser desastroso, como já acontece. Mais grave ainda é na zona sul, onde a região tem largos períodos de seca severa, ver a insistência de introdução de manchas de eucalipto, que contribuem para este problema e para a descaracterização da paisagem.

Mas vi muitas, mas muitas coisas positivas! Como não seria de esperar, os primeiros 105kms de Chaves a Lamego são fantásticos, um sobe e desce constante com paisagens de cortar a respiração. A diversidade paisagística em apenas 100kms não deixa ninguém indiferente. As vistas para as Serras do Alvão e Marão, a entrada em Vila Real, as curvas serpenteantes ao chegar a Santa Marta e à Régua, a subida interminável para a Sra. dos Remédios em Lamego, convidam a uma pausa para recuperar energias e registar estes momentos únicos.

De Lamego a Castro de Aire fiquei surpreendido pela positiva. Foram vários os pontos de interesse que chamaram a atenção. Os 200kms seguintes até Abrantes são, na minha opinião, os menos interessantes. Na paisagem predominam as plantações de eucalipto, com muita zona afetada pelos incêndios. Um interior que resiste, com pequenas povoações que chamam a atenção para visitas interessantes, como são os casos de Penacova, Poiares e Góis.